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27 de março de 2015
Portugal - O inovador moderado

“...é uma nova ideia implementada com sucesso, que produz resultados económicos", Ernest Gunding (3M)

“...busca, descoberta, experimentação, desenvolvimento, imitação e adoção de novos produtos, novos processos e novas técnicas organizacionais”, Giovanni Dosi (Universidade de Pisa)

“...pode ser vista como um processo de aprendizagem organizacional”, Martin Bell e Keith Pavitt (Universidade de Sussex)

 

A inovação é entendida como as ideias, as descobertas, as mudanças, o crescimento e a aprendizagem organizacional, nomeadamente em termos de produtos ou processos produtivos, sempre que estas se traduzam efetivamente em rendimentos económicos. Perante um mercado global, em que as mudanças ocorrem a cada segundo, a capacidade de uma empresa conseguir desenvolvimento de novos produtos, novos processos produtivos e de gestão é determinante para manter a sua competitividade. As organizações que conseguem ser competitivas são as que detêm competências para disponibilizar no mercado, de forma rápida, eficiente e com valor acrescentado, novos produtos/serviços que correspondam às necessidades e expetativas dos seus clientes (e potenciais clientes).

O relatório da Comissão Europeia - Innovation Union Scoreboard 20141, aponta Portugal como “Inovador Moderado”, com um desempenho em termos de inovação que se situa abaixo da média da UE. A performance em inovação com crescimento até 2010 (64% - 2006; 79% - 2010), registou uma queda a partir de então, tendo um valor de 74% no ano de 2013. Não obstante, Portugal tem vindo a incrementar a sua performance (crescimento médio anual de 3,9%), observando-se um processo de convergência com a média europeia.

Portugal destaca-se positivamente nas vertentes das publicações científicas internacionais, na integração em redes de referência a nível internacional e no número de PME com inovação de produto/processo e organizacional/marketing. Mais distante da média europeia estão as áreas relativas às receitas de patentes e licenças vindas do exterior, aos pedidos de patentes, às despesas das empresas em I&D, ao emprego e às exportações em atividades/setores intensivos em conhecimento, fatores que acentuam o défice observado na valorização da criação de conhecimento.

Olhando os fatores que afetam a capacidade de inovação2, observa-se que a capacidade portuguesa para a inovação é afetada, designadamente, por uma fraca cultura de empreendedorismo, ausência de relação investigação-indústria e ausência de competências ajustadas, resultando num número reduzido de PME inovadoras. Considerar os processos de inovação caracterizados apenas por aprendizagem interativa dentro dos limites da empresa, integrando as atividades a montante (departamento de I&D, fornecedores de bens, serviços e tecnologias) e/ou a jusante (marketing e distribuição, clientes industriais, consumidores finais), não são viáveis. Na prática, o processo de inovação reflete uma influência de fatores externos e de relações consideradas no sistema de inovação nacional.

 

Representação de um “Sistema de Inovação” (Adaptado de OCDE, 1998, in Godinho, 20033)​

 

Neste cenário há a necessidade de incrementar o ajustamento entre a criação de conhecimento, a transferência de conhecimento e a sua tradução em valor económico através da inovação. É primordial a transição para uma capacidade industrial e económica mais inovadora e intensiva em conhecimento, conseguida pelo desenvolvimento base de competências nacional e pelo incremento da articulação entre as empresas, o sistema educativo, formativo e científico e tecnológico e os demais atores do sistema de inovação. Sendo o todo mais que a soma das partes, é determinante o incentivo à criação de redes integradas de atores que permitam estimular, sustentadamente, a competitividade das empresas e do país, instigando a atração de investimento com forte valor acrescentado.

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 Carmen Pereira

 

 

 

 

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1 Innovation Union Scoreboard 2014 - 3 indicadores (Enablers, Firm Activities and Outputs), subdividindo-se em 8 dimensões, resultando num total de 25 variedades
2 Relatório Europeu sobre a Competitividade e Performance da Indústria - Comissão Europeia, 2013
3 Godinho, M. (2003). Inovação e Difusão da Inovação: Conceitos e Perspectivas Fundamentais. In: Política de Inovação em Portugal. Lisboa: Publicações Dom Quixote

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