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6 de abril de 2015
Gestão de pessoas nas organizações sem fins lucrativos

Serão as organizações sem fins lucrativos (OSFL) distintas o suficiente das organizações empresariais e do sistema público, a ponto de justificar a criação e adaptação de práticas de gestão de pessoas?

A análise do corpo de estudos nesta temática permite apontar algumas respostas mas também novas dúvidas, cuja compreensão implica, necessariamente, uma análise multidimensional destas organizações.

Realça-se a criatividade na forma como as OSFL lidam com a busca incessante pela sustentabilidade. Se por um lado levam a cabo atividades que se vão revelando fontes de financiamento eficazes e inovadoras, por outro lado vivem numa situação de dependência face aos financiamentos externos e públicos, situação essa que interfere diretamente na gestão estratégica e operacional. Os financiamentos públicos promovem a qualificação dos recursos humanos, exigem requisitos mínimos para o desempenho da organização conferindo promessa de qualidade no serviço prestado, e impulsionam a inclusão de práticas de avaliação e gestão. Abre-se assim espaço para que a OSFL avalie o seu desempenho e adote uma visão estratégica na gestão. No entanto, são vários os constrangimentos inerentes aos financiamentos que tornam as OSFL cativas de uma relação com pouco espaço para o arrojo, condicionando em certa medida o desenvolvimento de planos estratégicos a médio e longo prazo. Nas atividades financiadas devem atuar direcionando os serviços para um funcionamento tipificado, sem grande espaço para inovação, e sem que lhe seja possível rentabilizar espaços ou recursos, diretamente relacionados com os apoios, para outras fontes de financiamento alternativas, devido à lógica de exclusividade. Devem formar equipas qualificadas e cumprir os objetivos estabelecidos, enquadrados na sua missão. Mas para tal têm que recrutar colaboradores qualificados oferecendo contrapartidas menos aliciantes comparativamente aos sectores público e lucrativo. Têm que reter os melhores colaboradores que já têm nas equipas, solicitando-lhes esforço e empenho que, muitas vezes, excede os moldes da mera relação laboral, com salários tendencialmente mais baixos do que nos sectores público e lucrativo. Têm que lidar com o desequilíbrio financeiro que representam os atrasos nos pagamentos dos seus beneficiários, e procurar fontes de financiamento alternativas, capazes de mitigar estas faltas, mas sem que essa procura colida com os apoios concedidos. Por tudo isto têm que ser criativas e capazes de se distinguir das outras para atrair parcerias, usufruir do trabalho em rede, e estar atentas a novos desafios na comunidade onde se inserem. No entanto, num universo como o das OSFL, onde há espaço para uma grande variedade de problemáticas e, consequentemente, para a necessidade de uma grande variedade de respostas e de grande capacidade para lidar com o improviso, verifica-se que estas tendem a desenvolver serviços tipificados, ainda pouco diferenciados entre si. Resulta daqui uma crescente competição pelos financiamentos públicos, um foco ainda intenso na gestão burocrática, e consequentemente o foco na contratação de profissionais de gestão externos às comunidades onde atuam as organizações, para assegurar a busca desses financiamentos. O envolvimento das equipas de trabalho com as comunidades onde se inserem fica, assim, diminuído.

Como fator central de diferenciação e identidade das OSFL surge a Missão. Não só o elemento central na definição de guias de atuação, é também o elemento que unifica diferentes pessoas numa equipa e o fator que permite a cada colaborador compreender qual o seu papel e onde o seu desempenho deve incidir. Tendo em conta que a missão deriva do conjunto de necessidades identificadas numa comunidade compreende-se que o envolvimento dos recursos humanos com o trabalho que desempenham seja significativo, até porque conhecem as OSFL desde a sua implementação, fazem parte das comunidades onde estas atuam e incluem, direta ou indiretamente, na sua esfera pessoal e familiar alguns dos beneficiários do serviço que prestam.

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 Cláudia Andrade

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